quinta-feira, 24 de novembro de 2016

JORGE ROQUE

[SEMPRE VIVI NUM REDUTO]


Sempre vivi num reduto, sempre fui uma míngua de terra encostada a um muro. Mas o reduto estreita-se, o muro já mal me deixa mover nesse espaço exíguo que foi quanto me habituei a esperar da vida e era, visto de agora, um lugar feliz, uma cara onde o sorriso cabia.

[...]

Tresmalhado, Averno, Lisboa, 2016.

domingo, 30 de outubro de 2016

TERESA M. G. JARDIM

SACO DE CINZAS


Nunca estamos a sós para que eu te diga
com sinceridade: uma estante de livros não dá mais
do que um saco de cinzas
faz as contas


Telhados de Vidro, n.º 21, Lisboa, Averno, 2016.

sábado, 29 de outubro de 2016

RICARDO ÁLVARO

MORRER
[conjugação]


Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Eles


Telhados de Vidro, n.º 21, Averno, Lisboa, 2016.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

JOSÉ ALBERTO OLIVEIRA

FOLHAS


Duas folhas secas
de plátano
entram comigo
no elevador.
Também elas
empurradas
pelo vento.


Telhados de Vidro, n.º 21, Averno, Lisboa, 2016.

domingo, 25 de setembro de 2016

JORGE ROQUE

POUCAS ARMAS


Formado na moral, isto é, contra a natureza, tens poucas armas para viver neste tempo acérrimo de liberais. Eles têm uma razão: a justiça natural consumada na lei do mais forte, a verdade inocente da selvajaria animal. Tu tens uma razão diferente: o homem está desde sempre expulso da inocência que legitima a selvajaria, a sua verdadeira natureza constrói-se contra o natural.


Cão Celeste, n.º 9, Lisboa, 2016.

sábado, 17 de setembro de 2016

ADÍLIA LOPES

SABOTAGE (HITCHCOCK, 1936)


Os poemas que escrevo
são moinhos
que andam ao contrário
as águas que moem
os moinhos
que andam ao contrário
são águas passadas


Z/S, Averno, Lisboa, 2016.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

TÓ CARLOS

[NO FUTEBOL, COMO NO AMOR]


No futebol, como no amor, desde que as equipas deixaram de jogar com um líbero, nunca mais encontrei o meu lugar em campo.


Axiomática namoradeira, Cronópio, Lisboa, 2016.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

RUI NUNES

(REGRESSO)


Tudo o que faço não passa de um preâmbulo. Mas, contra todos os preâmbulos, ou como todos os preâmbulos, estes só anunciam outros preâmbulos:
a negra palavra do abutre.
A negra paisagem do abutre


A crisálida, Relógio d'Água, Lisboa, 2016.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

ALBERTO PIMENTA

NÃO SEI


Poéticos, os deuses?
Eles não têm sangue.

Debaixo do céu inerte,
a ave que foi trespassada
e cai como um trapo
no tronco de árvore de Botticelli
tinha sangue.
Ou a pantera
do Jardin des Plantes
que incansavelmente
percorre a sua jaula
de um lado para o outro,
cerrando lentamente as pálpebras
sobre o mundo, tem sangue.

Ou as três gotas de sangue na neve
que causam o assombro
abismado de Parsifal
têm origem viva, que se torna poética
quando chegam a ele.

A poesia
são gotas, inúmeras,
secas ou ainda frescas,
sangue, sempre sangue,
o preço líquido
que a vida paga
pela fuga constante
a si mesma,
a caminho
do que não existia
antes de
ela lá ter chegado.

A poesia
quer que cheguemos,
aonde ela chegou.

– E chegamos?

Claro que não.

– E os deuses?

Esses incutem
pavor e esperança:
pavor na vida que temos,
feita do pó do universo,
esperança em chegar a eles
depois dela.

– E chegamos?

Não sei. A qual deles?


Nove fabulo, o mea voz: De novo falo, a meia voz, Pianola, Lisboa, 2016.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SANDRA ANDRADE

FORTRESS OF SOLITUDE


deixarias a chave no hall sem nunca mais te preocupares em teres um local secreto. imagina o sono. o acordar. usaria a chave para pequenas habilidades quotidianas. sempre seguros, nunca mais alerta. o mundo em implosão lá fora. mas a gaveta verde fechada com livros de petrologia. e a vida perigosa apenas nas arestas. imagina o relógio. a balança. o sono. os caminhos já não serem estreitos.


Doppelgänger, DSO, Coimbra, 2016.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

TERESA VEIGA

[ENQUANTO ESTAVA PARADA]

[...]

Enquanto estava parada, a dois metros de distância, sem me atrever a esboçar um movimento para não o acordar, percebi que a força daquele homem, descontada a robustez física, lhe vinha de não tomar nada por certo, de viver simplesmente o dia-a-dia. Antoine dormia pesadamente, imerso no sono, com a imobilidade de um animal que hiberna ou de alguém fulminado por um tiro. Dormia com a mesma convicção que põe em tudo o que faz, com a ressalva de que nele convicção e desprendimento se equivalem e confundem. Não sofria, não pensava, não tinha sonhos, visões, arrependimentos. Simplesmente dormia.

[...]

"Antes da Revolução", Granta, n.º 7, Tinta-da-China, Lisboa, 2016.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

PAULO DA COSTA DOMINGOS

[FABRIQUEI EU TODO O VIDRO]

[...]

Fabriquei eu todo o vidro preciso nas janelas de uma casa à minha medida. Uma parte-de-casa, digo, algures, ou de alguém. Importava ficar-se ao abrigo de ventos de granizo, ter uma referência nascida do empreendimento destas mãos. O que me imiscuiu em tantas e tão perdulárias moradas. Logo em muito miúdo habituara-me a pequenos domínios como o cantinho de uma marquise solarenga, clara, onde o vão entre quatro pés do tanque em cimento me bastava para tecer cobiçosas intrigas. Jamais me atrevia a espiar o território adulto, verdadeiro campo de treino para a desconfiança e o desatino. Era como escolher na encosta íngreme da ravina o mergulho directo num casulo.

[...]


Narrativa (edição revista), Alambique, Lisboa, 2016.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

VASCO GATO

[IMPRESSO A GIZ NA ARDÓSIA]


Impresso a giz na ardósia,
um gesto de desamparo.

Vem, parece dizer a mão,
traz-me o continente
da tua estranheza.

E esse é o veneno.
E esse é o demónio que abalou
a podridão dos anjos.


Primeiro direito, Artefacto, Lisboa, 2016.

domingo, 19 de junho de 2016

NUNES DA ROCHA

ORÁCULO


do peito aberto saiu larva sem eco
caligrafia ou certeza
disse o deus

ensinar-te-ei modos de atravessar paredes
quando ninguém é perto
ou saudade

caminhar sobre as águas se o amor for ponte
sem arcos
e nela colhes líquenes de pedra

subir escadas quando a noite se cola aos pés
descalços se disseres adeus
nus quando à porta bateres

[...]

Cordoaria Nacional, Averno, Lisboa, 2016.

terça-feira, 14 de junho de 2016

MIGUEL DE CARVALHO

AUTO-RETRATO


I – Diário de navegação

Movo-me cintilante com bandarilhas solares entre arenas de pétalas mortas. Pressinto as canetas cravadas e adormecidas.

Arrasto o segredo mineral dos ventos e contemplo o verbo derramado pela raiz. Grito nas veias atrás do sangue para esculpir a cor.

Vou comigo, escapando à loucura, carregado de pólen no papel à sombra do gesto. Aprisiono os sentidos e as vigílias de quem espera a palavra surda.

Apaziguo o corpo numa ruína sedutora onde bebo a areia insone. Fecho as janelas atrás da espuma marítima.

Recordo-me sem saída.


Neste estabelecimento não há lugares sentados, Alambique, Lisboa, 2016.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

INÊS DIAS

JOAQUIM E JUDITE

Para o Manuel

Fizera toda a viagem com ele ao colo.

Queria despedir-se junto ao mar,
mas as partidas são tão imperfeitas
se o coração é uma caixa de cinzas
demasiado enferrujada para abrir
ao vento. Mesmo agora, depois de lavada
a última partícula que se lhe colara
à pele, sabia que o amor passara a ter
o peso exacto das ondas e, por isso,
nunca mais deixaria de o ouvir.

E ria, apontando-nos mais um turista
à procura das marcas do milagre
na pedra. Como se não fosse milagre
suficiente cada volta do mar: sermos
ainda reconhecidos, sete passos
dentro da noite, quando andamos
pelo mundo a povoá-lo de fantasmas.


Sítio (com Manuel de Freitas), Volta d'Mar, Nazaré, 2016.

domingo, 5 de junho de 2016

MANUEL DE FREITAS

SÍTIO DA NAZARÉ, 1979


Não tenho a certeza do nome da senhora (que talvez se chamasse Maria Augusta) a quem os meus avós alugavam casa no Sítio, mas sei que era inequivocamente cigana e que a casa ficava mesmo ao lado da praça de touros. Eu dormia no corredor, numa cama minúscula escondida por reposteiros. Os avós entretanto morreram, e a minha mãe optou pelo campismo selvagem nos pinhais em volta, antes de se render ao fascínio terapêutico da praia da Consolação.

Desconheço se devo a essas remotas experiências a tristeza que ainda hoje associo ao Sítio. Mas parece-me evidente que a minha poesia evoluiu (se é que evoluiu) num sentido exactamente contrário: passou do campismo selvagem a um longo corredor vazio onde já não espero encontrar ninguém.


Sítio (com Inês Dias), Volta d'Mar, Nazaré, 2016.

domingo, 22 de maio de 2016

CARLOS NOGUEIRA

[ANDAVA UM HOMEM]


andava um homem à procura de si
quando reparou que as searas tinham sido incendiadas
o mar se desregulara
e o sol ardia de outra maneira
com as mãos que pôde dedicou-se a juntar pedras
e o que restava
a construir uma casa geométrica com abertura para cima
no sentido ao contrário da paisagem e das casas
que até então conhecera

com a luz que ainda havia
fez-lhe chão


Textos de trabalho, Averno, Lisboa, 2016.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

RUI PIRES CABRAL

THE STRANGER SONG


Ele quis dizer-te agarra
a noite e não pudeste
contentá-lo. Agora
é tarde. Cai uma nódoa
na parede, na camisa

do poema. És acossado
pelo fim que consentiste
e pela sombra da razão
que não tiveste. Olhas
em volta

e só não vês o que aí está
se não quiseres perder de vez
a ilusão de uma saída.
Nos arredores, a luz
é torpe, o verso

inquina. Não há
comboio a estas horas
que te leve ao outro lado
onde te espera, por engano,
a tua vida.

A mil braças de profundidade, AA. VV., Eclusa, Lisboa, 2016.

terça-feira, 17 de maio de 2016

RUI BAIÃO

[CERTO INÚTIL VIRAR DE COSTAS]


Certo inútil virar de costas.
Proibido, o sul todo. Azul
da queima, milhares de teias.
Sei o que vale na boca, a seta
certa. Doente ulterior à cobrição.
Tal o azar, nunca te disse.

Noizz, Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2016.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

RUI CAEIRO

[E AGORA, POR FAVOR, DEITE-SE NESTA CADEIRA]


E agora, por favor, deite-se nesta cadeira. Quer mais chegado para trás? Está bem assim? As pernas, estão confortáveis? Qual a mão que prefere espetar, a esquerda ou a direita? E vá, agora é só trocar o seu sangue por este líquido incolor e indolor de glóbulos químicos. Chute (do verbo chutar), chute para a veia. Durante as próximas horas, curta (do verbo curtir). Faça de conta que lhe saiu na rifa uma viagem à Meia-Laranja. Quer uma revista para ler? Quer a Lux, quer a Caras?


Sala de Chuto, edição do Autor, Lisboa, 2015.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

LUÍS FILIPE CASTRO MENDES

REGRESSO


Já voltei a casa, as portas rangem,
o pó tomou conta de todos os móveis,
deixando-me de pé, a balançar as chaves,
e a interrogar-me sobre o que não fiz.

O tempo que resta não é para confissões
nem para ajustes de contas:
pois quem guarda o guardião, quem despe a roupa
das vestais do templo?
A água corre ainda, um fio sequer, de torneiras
em desuso. Respiro e não deixo de olhar.
Até ao fim não deixarei de olhar.

Que trabalho é este, oculta e extinta miséria
sob os nossos passos?
As janelas com os vidros quebrados, o plástico
por cima dos horizontes perdidos
da transparência. Porque insistes? Porque ficas
à entrada da casa, perdido no olhar
e na memória do que nunca chegou a ser?


Outro Ulisses regressa a casa, Assírio & Alvim, Lisboa, 2016. 

sábado, 9 de abril de 2016

JORGE ROQUE

QUATRO MUROS


Vinte e dois dias de férias, fins-de-semana, feriados, e vida nenhuma para ser a vida do escritor que seria, pelo menos de acordo com o funcionário que pontual pica o ponto, sem braço nem manguito a opor ao avanço da horda liberal.

Ó brilhante aluno que trocou ciências por letras quando ninguém esperava e, bem se sabia, letras são tretas com as quais nem os anjos se governam, quanto mais ele que em vez de asas tinha dores nas costas e, longe do paraíso, contas e impostos a pagar num torpe arrabalde dominado por espertos e caciques.

Ó promissor escritor a ficar fora de validade, passam os anos, passam os livros magros, esforçados, passa a indiferença que em torno deles se abate, a tua realidade são estas quatro horas por noite, estes quatro muros fechados, este quarto de vida roubado ao cansaço, ao tempo de sono, ao convívio com os outros, à alegria de escrever até. Um amador esforçado, um diletante sem meios de o ser, é isso que és. Um parvo, em suma. Ou, no melhor dos casos, um equivocado.

Deito vinho no copo, acendo um cigarro, releio o que escrevi. Não, nada há de errado, está tudo certo. Esta a vida real do escritor que sou, nas quatro horas, nos quatro muros, que me delimitam. Mais não há e, com solução ou sem, não é equívoco.


Cão Celeste, n.º 8, Lisboa, 2015.

domingo, 27 de março de 2016

RUI ÂNGELO ARAÚJO

[HÁ NAS QUINTAS DO DOURO]


Há nas quintas do Douro uma aragem de aristocracia, de ambiente de corte – vence-nos ali a indolência e a frivolidade sem era nem pressa da classe dominadora –, mas a madrinha só com fórceps poderia ter nascido para aquele mundo. O casarão dela destoaria nas margens do rio, seria o contraponto sinistro da arquitectura luminosa e diáfana que ali marca a paisagem. Não que a casa dela fosse muito diferente daquelas, ou que a madrinha nas velhas fotografias mostrasse um ar mais austero e severo do que o que apresentara nas suas a D. Antónia Adelaide Ferreira. A madrinha, pelo aspecto nas fotos antigas, poderia ser uma proprietária duriense, e a sua casa uma quinta entre vinhedos, mas quem a conhecesse não escreveria monografias hagiográficas, nem haveria colheitas com o seu nome, rótulos com o seu semblante. O seu vinho haveria de saber ao sangue azedado esquecido em pipas nas caves do castelo de Drácula e a casa pareceria o assento baronial que inspirou Branquinho da Fonseca.


A origem do ódio: Crónica de um retiro sentimental, Língua Morta, Lisboa, 2015.

quinta-feira, 24 de março de 2016

INÊS LOURENÇO

PRÉSTIMO


Um gato não serve realmente
para nada, vão quase seis séculos
desde o tempo das caravelas
onde embarcou com os marítimos para
extermínio dos roedores que
infestavam o porão das naus. Agora
só o dorso oferece às carícias
ou ao regaço o peso
do pequeno corpo, ronronando
a grata beleza de existir.


O segundo olhar: poemas escolhidos [org. de José Manuel Teixeira da Silva], Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015.

quarta-feira, 2 de março de 2016

MIGUEL MARTINS

[UM APICULTOR ATRAVESSA A CHARNECA, MUNIDO]


Um apicultor atravessa a charneca, munido
da sua parafernália característica. Alto,
esguio, dando-se o tempo que só a reforma
permite. É Sherlock Holmes, um cavalheiro
que nunca viveu e, contudo, nunca morrerá.
Imagino-me a seu lado, raro confidente
de quanto não ficou escrito e das ciências
de que não sabe tudo, mas apenas muito.
É óbvio que é, apenas, imaginação – seria
um anacronismo e isto é, tão-só, escrita
criativa, pequena prosa versificada,
desenfastio de um privilegiado que não sabe
aguardar o almoço ou conciliar o sono.


Cadávares esquisitos, Do Lado Esquerdo, Coimbra, 2015.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

JOSÉ CARLOS SOARES

[AO RELENTO DORMEM]


Ao relento dormem
as palavras

com os pés voltados
ao vazio. Só as mãos

dos que cortaram
as árvores
sabem como pode o inverno
arrefecê-las.


Igor Dgah, DSO, Coimbra, 2014.

domingo, 31 de janeiro de 2016

ANTÓNIO BARAHONA

VOZES


Voz de Camões na minha voz mistura
frases tão simples repetidas, hora a hora,
e enquadradas, verso a verso, na medida
de sonetos de voz perfeitamente pura

E também de Pessanha a voz infiltra
na minha voz a compleição sonora
e ainda a Quental sou devedor da técnica
de retratar a alma com esquadria

Na minha voz há ecos de tom íntimo,
poetas a falar, aberto o peito ao sôpro
e santos d'olhos postos no som mystico

Na minha voz há morte acumulada
e a minha própria vida é já matada
que só porque vos vi, minha Senhora.


Noite do meu Inverno, Averno, Lisboa, 2016.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ADÍLIA LOPES

BIGGER THAN LIFE


Nada é maior
do que a vida


Capilé, Averno, Lisboa, 2016.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ARMANDO SILVA CARVALHO

QUADRA


A erudita fala dos poemas lentos
A escura idade dos olhares perversos
A clara noite dos santos eruditos
O eco obscuro dos preclaros versos


O que foi passado a limpo [de Sol a Sol], Assírio & Alvim, Lisboa, 2007.